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Porque pintam os gatos? III

por arcadajade, em 30.04.05

Tyger começou por olhar fixamente para a porta branca do frigorífico durante vários minutos, antes de se chegar a um dos pires colocados ao lado e esfreguer leve e cuidadosamente as suas patas na superfície espessa da tinta. Depois, perfeitamente equilibrado nas suas patas traseiras, levantou as patas da frente e desenhou um traço delicado de azul em forma de vírgula exactamente por baixo da pega. Repetiu o motivo mais três vezes em cores diferentes, um por baixo do outro, e depois, mal olhando para o que fizera, saiu despreocupadamente para a rua, para lavar as patas. Toda a operação durara apenas uns minutos, mas fora executada com uma graciosidade tão descuidada que parecia não se ter passado nada de invulgar.


Muitas pessoas sentem o mesmo quando vêem a pintura de um gato pela primeira vez. Parece um acto tão natural, que só depois é que pensam em examinar a motivação do gato - e quando o fazem, as perguntas começam a acumular-se. Estará ele a tentar representar alguma coisa, um objecto talvez, ou um estado emocional, e porquê? (...) Será que alguns gatos têm realmente um sentido estético ou será a sua «arte» simplesmente uma forma de comportamento de demarcação territorial, como pensam muitos biólogos?

Heather Bush & Burton Silver, Porque Pintam os Gatos?, Uma teoria da estética felina, Centralivros, Lda, Livros e Livros, 1995
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Misty, pintando
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A pintura de Misty: Um Pequeno Salto Exuberante
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Lu Lu, completando a pintura de Wong Wong
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Wong Wong dá a sua aprovação, introduzindo duas marcas pretas por baixo do motivo central.
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Lu Lu junto da sua secção do tríptico.
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Ramificações sérias, pintura de Smokey

Imagens retiradas do livro citado.

Porque pintam os gatos? I
Porque pintam os gatos?II

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23:16

Felina

por arcadajade, em 27.04.05

Galgam os gatos, guturais, gritando,

Nas gotejantes, glácidas goteiras,

As julietas maltesas namorando,

Em mios sensuais pelas trapeiras.

 

Chora, chapinha, chuviscando a chuva!

No deserto beiral do meu telhado,

Uma cinzenta graziela viúva

Contempla o seu «miau» envenenado...

 

Há lamentosos, lutulentos lances,

Por sobre a telha de Marselha, oblonga...

Sonhos, idílios, infernais romances,

Cavaleiros de Malta e barba longa!

 

Dum, conheço uma história muito triste,

Dum que lembrava o D. João doutrora,

Sempre com o bigode e a cauda em riste...

Mas era longo referi-la agora.

 

Pelos sítios escusos dos telhados

Há gatas sem pudor fazendo visitas,

Traições, banzés, focinho arranhado,

Baralhas de saloios e fadistas.

 

Ouvindo-os, entre insónias horrorosas,

Paroquiais, pesados pesadelos,

Guloso, gloso gloriosas glosas,

E faço caracóis com os cabelos!...

 

António Feijó, Poesias Completas, 1.ª Edição, Edições Caixotim, Porto, 2004

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00:04

Lembrando

por arcadajade, em 19.04.05

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O gato de Cheshire Image hosted by Photobucket.com
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Tom e Jerry

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Silvestre e Piu-Piu 


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23:00

Sempé

por arcadajade, em 09.04.05

sempe.jpg

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14:33

Outra Gata

por arcadajade, em 09.04.05

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                                     para Haroldo, felinófilo

Embora seja tão
minúscula, está viva
a gata que se esquiva
enquanto minha mão,
com mais de um arranhão,
conclui a tentativa
inútil e, à deriva,
afaga o nada em vão.

Fruindo em paz de sete
vidas, no entanto, a gata
faz sua toilette
e assim não se constata
que esconde um canivete
suíço em cada pata.

Nelson Ascher
(poema gentilmente enviado pelo autor)

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00:52

Era um gato

por arcadajade, em 04.04.05

max1.jpg 
era um gato no telhado

aqueles olhos que luziam
o fantasma no meu quarto
tênue sombra enluarada
sombra de silêncio
eco da madrugada

era um gato e caminhava
atento a tudo que havia
a um insone na janela
que à sua sombra acudia
lentamente foi embora
lentamente raia o dia

era um gato e um poeta
um do outro estranhos
um do outro fantasmas
um do outro silêncios
aquele agora quer cama
este agora quer braços

 

Fred Matos

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16:23

A gata

por arcadajade, em 03.04.05

do meu amigo António

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... uma gata
cor de prata
é tigresa
e literata!

António Cardoso Pinto

 

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19:58