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Gatos e literatura

por arcadajade, em 06.12.13

«Muitos foram os escritores e poetas de todas as épocas que se renderam ao fascínio dos gatos e com eles compartilharam suas obras e suas vidas. Guimarães Rosa admitia que adorava conversar com seus dois gatos persas. Lygia Fagundes Telles escreveu A Disciplina do Amor, onde declara seu amor pelos gatos. O musical Cats, encenado na Broadway, resultou de um poema de T. S. Eliot, O Nome dos Gatos. Outro célebre poema, Ode aos Gatos, é de autoria do não menos célebre Pablo Neruda. Seu poema é até hoje uma das mais brilhantes descrições da personalidade felina e, diga-se, evocada por todo defensor desses misteriosos e cativantes animais.

foto de Faiz Naquidin - NatGeoHá ainda uma infinidade de outros autores e poetas: Victor Hugo escrevia ternamente a seus gatos em um diário, Jorge Luiz Borges deixou-se fotografar inúmeras vezes com sua gata branca, que adorava dormir de barriga para cima. Edgar Allan Poe fez do gato o tema para alguns de seus melhores contos, e Baudelaire, em Les Fleurs du Mal, dedica três poemas aos felinos.


Transcrevo agora, trecho de artigo publicado na Revista Eletrônica Século XXX, sobre os felinos: "Para Ernest Hemingway os gatos eram as únicas criaturas que mereciam ser mimadas incondicionalmente – tinha tanta paixão por eles, que chegou a ter 50 gatos, os quais deixou protegidos em testamento, ao morrer, em julho de 1961. O escritor determinou que seus gatos deveriam ser mantidos com todo o conforto por meio dos rendimentos oriundos de direitos autorais de sua obra. E assim foi feito. A casa em que morava, em Key West, na Flórida, foi transformada em The Ernest Hemingway Home & Museum e tem como principal atração 57 bem cuidados gatos – todos descendentes dos primeiros bichanos do escritor.


Como esses, muitos outros escritores, poetas e pensadores de todos os gêneros renderam-se ao fascínio dos felinos e com eles compartilharam suas obras e suas vidas. A lista é notavelmente longa: Lord Byron, Anton Tchekov, Collette, Alexander Puskin, Céline, Paul Gallico, Hermann Hesse, H.H. Munro, Thomas Hardy, Edward Lear, Lewis Carroll, Beatrix Potter, W.B. Yeats, Théophile Gautier, Ray Bradbury, Colette, Honoré de Balzac, Raymond Chandler, Jean Cocteau, Marcel Mauss, Júlio Cortazar, Alberto Moravia, Rudyard Kipling e Charles Perrault (criador do Gato de Botas) adotaram gatos como seus companheiros de silêncio e de escrita e adoravam ou adoram falar deles, escrever sobre eles, transformá-los em personagens de suas histórias.


Também é o gato, com seus mistérios e sua ligação com o encantamento, o animal favorito de muitos autores de ficção científica e terror, como H.G.Wells, Stephen King e Patricia Highsmith. A lista continua com Mark Twain que, da infância compartilhada com 19 gatos, até à velhice, nunca deixou de viver na companhia de pelo menos dois gatos. "Não se imagina uma casa de Mark Twain onde os gatos não reinem supremos", diz um de seus biógrafos. Em sua fazenda em Connecticut viviam 11 gatos. Entre os intelectuais brasileiros os “gateiros” também são muitos: Clarice Lispector, Ana Miranda, Jorge Amado, Ruy Castro, Mario Quintana, Mauro Rasi, só para citar alguns.


Mas o que pode haver de tão intrínseco entre essas duas espécies – gatos e escritores – que as une tanto? “Eles foram feitos para se entender”, afirma a psiquiatra Nise da Silveira. “O gato é remédio para a solidão – a doença mais devastadora de nossos dias”, afirmava. (...)

 

Há gatos que adoram livros e vivem em bibliotecas, como o gato Dewey, um filhote de pelo dourado abandonado que foi adotado por uma bibliotecária da cidade de Spencer, nos Estados Unidos, e se transformou em mascote de toda a população. Ele tinha o hábito de escolher o colo de um visitante da biblioteca para dormir todas as tardes. Com um apurado sexto sentido – que todo apaixonado por gato sabe ser natural nos felinos – Dewey escolhia sempre a pessoa mais carente para mimar com seus afagos. Sua história correu os Estados Unidos e se transformou no livro Dewey – Um gato entre livros, escrito em parceria por Vicki Myron (a bibliotecária) e o escritor Bret Witter.»

 

Texto extraído de Revista Philomatica

Fotografia de Faiz Naquidin

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